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Máquinas inteligentes

A inteligência artificial, simples assim!

por Por João Paulo Novais e Viviane Malheiros, do Laboratório de Inovação Digital do Serpro. — 01 de novembro de 2017
Conheça técnicas, oportunidades e desafios que esta tecnologia traz para governos e negócios
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Se você procura um termo no Google, consulta uma rota de trânsito ou um produto recomendado em uma loja virtual, é sinal de que a inteligência artificial (IA) já faz parte da sua vida. Essa tecnologia vem sendo utilizada para otimizar processos em um número cada vez maior de negócios.

A inteligência artificial é uma forma avançada de programação que permite às máquinas simular as seguintes capacidades humanas: raciocinar (aplicar regras lógicas a dados disponíveis para chegar a uma conclusão); reconhecer padrões; tomar decisões; resolver problemas e sugerir ações. Nos últimos anos, técnicas evoluíram, possibilitando que estas máquinas identifiquem novos padrões à medida que recebem mais dados e aprendem com os erros e acertos.

Mas como funciona a IA?

Depende da técnica, e existem várias. Simplificando em um exemplo, é assim: a pessoa que está programando fornece a um algoritmo um conjunto de dados para aprendizado, como fotos na praia, por exemplo. Para algumas fotos, essa pessoa informa "é uma praia"; e, para outras, "não é uma praia". Então, o algoritmo começa a estabelecer um padrão do que caracteriza uma praia. Quando você solicita ao serviço Google Photos "fotos na praia", ele busca as imagens corretas (aquelas que se encaixaram no padrão “praia”).

Sabe quando para você usar um serviço on-line, e, para acessar uma página, precisa “provar que não é uma máquina”, marcando, por exemplo, quadros com fotos? Quando você obedece a uma orientação como “Marque os quadros que contém praias”, pode estar ajudando a treinar um algoritmo. Cada nova foto identificada - correta ou incorretamente - é adicionada ao conjunto de aprendizado e o algoritmo fica "mais inteligente" e melhor em encontrar praias ao longo do tempo.

Como existem diversas aplicações e técnicas, vários termos representam o conhecimento de inteligência artificial. Três desses termos mais utilizados são:

NLP, ou natural language processing
É a capacidade de máquinas interpretarem frases humanas, seja por texto ou por voz, e executarem uma ação (agendar um compromisso) ou responderem uma questão (se vai chover hoje).

Machine learning, ou aprendizado de máquina
Cria algoritmos incansáveis e especialistas, capazes de identificar padrões em textos ou em imagens (como no exemplo da foto da praia). Pode ser supervisionado ou não-supervisionado.

Neural networks, ou redes neurais artificiais
Diz respeito ao uso de redes neurais artificiais no processamento de informações, criando caminhos para encontrar uma informação, assim como as sinapses do cérebro humano.

Para que se usa a IA?

Um exemplo de uso corriqueiro de IA são os assistentes digitais inteligentes, como Siri, da Apple; Cortana, da Microsoft; e Google Assistant. Eles são programados para reconhecer instruções de voz, responder a perguntas, pesquisar na internet e acessar serviços e aplicativos.

Outros exemplos de uso são serviços de governo, que podem se beneficiar da IA de várias formas: combatendo fraudes e a evasão fiscal, aumentando a precisão dos diagnósticos, diminuindo o tempo de análise de processos, entre outras aplicações.

No Serpro e no governo brasileiro, algumas aplicações de IA estão em desenvolvimento. Uma delas é o uso de chatbots, assistentes inteligentes com a capacidade de orientar e conectar pessoas aos serviços de governo usando o NLP. Outro exemplo é o uso de detecção de padrões em imagem para diminuir o tempo de processamento e o custo de multas. O mesmo caminho de detectar padrões para melhorar a eficiência está sendo adotado por tribunais para a análise de processos acumulados.

Além disso, empresas brasileiras estão se especializando em treinar algoritmos (trainers); em explicar (explainers) como os sistemas baseados em IA funcionam; em auditar os algoritmos; em monitorar (sustainers) ambientes; e em garantir a ética em sistemas inteligentes.

Futuro

A partir de 2020, é provável que o mercado comece a falar em General AI, quando a inteligência artificial será usada em mais contextos e estará mais próxima da capacidade cognitiva do ser humano. Oportunidades e desafios virão daí!

Uma questão crucial para a IA é ensinar as máquinas a entender o mundo sem reproduzir preconceitos, como aconteceu com o sistema “Tay”, a IA interativa lançada pela Microsoft no Twitter, que, em um dia, “aprendeu” e começou a postar mensagens reproduzindo discursos que negam o Holocausto e defendem Adolf Hitler.

No cinema, não é difícil encontrar obras que tratam dos desafios da IA. O filme "O Exterminador do Futuro", levanta a questão das máquinas inteligentes se rebelarem contra humanos. É um filme dramático, mas toca em uma questão sensível de até onde a IA pode ir. Em 2015, por exemplo, mais de mil especialistas em tecnologia assinaram uma carta contra o desenvolvimento de armas autônomas, entre eles: o cientista Stephen Hawking, Elon Musk, CEO da Tesla e criador do PayPal, o cofundador da Apple Steve Wozniak. Já o filme “Her” levanta a possibilidade de humanos se envolverem emocionalmente com os computadores à medida que eles ficam mais responsivos.

Um dos episódios da série Black Mirror, no Netflix, destaca os impactos de usar um sistema de crédito social em larga escala, no qual cada pessoa receberia notas de acordo com seu comportamento, continuamente avaliado por outras pessoas. Aproximando ficção e realidade, para 2020 o governo chinês planeja lançar seu Sistema de Crédito Social para julgar a confiabilidade dos seus habitantes. E, por falar em Netflix, este serviço utiliza técnicas de IA para recomendar as séries e filmes com mais chance de você gostar, sabia?

Oportunidades

No campo das oportunidades, a IA amplia significativamente nossas habilidades para resolver problemas e, até salvar vidas. Se milhares de exames de pacientes forem analisados simultaneamente, o sequenciamento de genes e análise de diagnósticos podem ajudar oncologistas a identificar o câncer, por exemplo. Máquinas inteligentes abrem a possibilidade de auxiliar humanos em trabalhos insalubres e são capazes de sobreviver a duras condições ambientais.

Carros autônomos podem reduzir acidentes causados por falha humana e diminuir engarrafamentos. Robôs-advogados usam IA para acelerar o andamento de processos e diminuir as margens de erro. E algoritmos inteligentes de segurança são usados nas redes corporativas para detectar intrusões e impedir a proliferação de vírus e outros malwares.

O uso intensivo de inteligência artificial pode mudar a forma como nos relacionamos com  as máquinas (já está mudando) e está em crescimento no Brasil e no mundo, trazendo ganhos e desafios para empresas e governos. Já pensou o que a IA pode fazer por você?

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